Em busca de um recomeço
Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 06 de abril de 2011
Dizer que estou "mudando de partido" é pouco, impreciso, incompleto; o verbo correto é "fundar" uma nova legenda, o PSD, absolutamente original
Antes que seja censurada por ideias que não defendemos e por intenções que não temos em função do projeto do novo partido em organização, o PSD, lembrei-me de uma providência que Benjamin Franklin adotou ao se engajar na luta pela independência americana, em 1731: escreveu um pequeno texto de duas páginas, que republicou até o fim da vida no seu jornal, o "Pennsylvania Gazette", contendo a essência dos seus princípios.
Uma prevenção eficaz contra os preconceitos, as intrigas e as falsas interpretações.
Nesses termos, começo pelo verbo correto que indica a minha movimentação política. Dizer que estou "mudando de partido" é pouco, impreciso, incompleto. Da mesma forma, é falso que esteja deixando a oposição. Ou, mesquinhamente, que abandono a legenda em que iniciei minha vida política.
Esses verbos, "sair", "mudar", "trocar", "abandonar", não expressam o sentido da minha ação.
O verbo é "fundar". Junto com amigos de várias procedências, participamos do núcleo dirigente de uma nova legenda, absolutamente original, a começar pela declaração de independência absoluta em relação às classificações topográficas a que nos acostumamos.
Não estamos inventando um limbo inexistente, mas definindo um novo conceito. Não adotaremos alinhamentos automáticos. Estamos fundando um partido para ser ele mesmo. Partidos não precisam de adjetivos, mas, como tudo na vida, precisam de caráter. É preciso que haja clareza e compromissos com suas metas e princípios. Quando o governo estiver em consonância com nosso programa, terá nosso apoio. Quando não estiver, não terá. Ter caráter é ser, acima de tudo, fiel aos seus princípios.
O voto popular designará nosso papel, jamais composições, troca de cargos ou compensações de qualquer ordem. Segundo, porque deveremos adotar o sistema da democracia interna -no modelo "cada militante, um voto"- para escolher candidatos, dirigentes e definir as grandes linhas de ação. Algo muito diferente da prática político-partidária brasileira.
Também o conteúdo perseguido não conterá as platitudes ou generalidades habituais. Não seremos escravos de ressentimentos, de definições imobilistas, de revanchismos e de idealismos espasmódicos de véspera de eleições.
Três coisas são imprescindíveis.
Primeiro, os princípios de defesa da liberdade sem adjetivos e da prática, sem restrições, dos direitos humanos. Segundo, a intransigente exigência de moralidade.
Terceiro, não teremos os chamados "candidatos naturais". Ninguém será candidato de si mesmo.
As prévias não podem ser opcionais, devem ser obrigatórias. Um partido de militantes, e não de dirigentes autoritários. A tolerância diante do intolerável, praticaremos com humildade.
No plano econômico, quem disse que são incompatíveis a proteção social e o direito de propriedade, os estímulos à formação de empresas, o reconhecimento do lucro auferido legal e eticamente?
Sou uma democrata incondicional que acredita que somente a economia de mercado pode erradicar a pobreza, por ser a única que gera riqueza. Esperem pelos programas e definições que estão no forno, com propostas precisas, sem subterfúgios, para essa combinação de solidariedade e desenvolvimento.
Buscaremos na educação o instrumento verdadeiro que garanta a liberdade. A educação não deve ter seu foco apenas na qualificação profissional para o mercado, mas principalmente capacitar o cidadão para fazer suas escolhas.
Para terminar, um desafio aos críticos apressados: o reconhecimento e a defesa da classe média, que soma hoje 52% da população e detém 46,5% da renda nacional, nos caracterizará como esquerda ou direita? Não ataquem antes de o time entrar em campo. Não é justo.
KÁTIA ABREU é senadora pelo Tocantins, presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Blog do Caio Bicca
sábado, 30 de abril de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Caudilhos!
Desde Bento Gonçalves até Flores da Cunha o Rio Grande conheceu valorosos homens que mereceram esta distinção. Conhecidos como caudilhos, eram geralmente líderes militares, estancieiros, de famílias tradicionais e que possuíam certo comando político local. Outros tantos caudilhos, passaram pelo século XX e deixaram sua marca.
O Alegrete foi palco de vários deles, desde o General Vasco Alves, Oswaldo Aranha e Honório Lemes, o Leão do Caverá.
Tantos outros de projeções mais interiorizadas escreveram seu nome na história local. Citamos vários da família Ferreira da Costa, o Salustiano, o Gregoriano e o Ícaro Ferreira da Costa, também o Major Pedro Olímpio Pires, o Jangota Pereira, lá do Caverá, o Murillo Nunes de Oliveira, que na região da Conceição e adjacências, foi o grande líder e benfeitor daquela localidade, tanto que até hoje seu nome é lembrado e reverenciado por todos.
Lá pras bandas do Itapororó também teve um grande caudilho , o meu avô, conhecido como Coronel Carlos Carús Bicca, que durante vários anos foi subdelegado e subprefeito daquela região, onde deixou sua marca e que também consagrou-se como uma lenda no Alegrete.
Estes homens não existem mais. Esta forma de vida esvaiu-se no tempo. Mas a partir deles consagrou-se a tradição nas estâncias gaúchas, nos que os descendem e mantém suas imagens vivas. Esta é uma parte da história do Rio Grande que não pode ser esquecida.
Personagens marcantes que povoaram estes campos e ajudaram a construir a marca e a tradição do Rio Grande, são almas vivas presentes em nossas lembranças. Todos estes, os quais não tive o prazer de conhecer, mas com certeza verei por esta vida a fora tantos outros, talvez mais modernos, mas com o mesmo significado do caudilho, e que serão lembrados e descritos aqui, nessa terra, de uma outra forma, e talvez, em um outro tempo.
Publicado no Jornal Gazeta de Alegrete em 12/02/2011 - Caio Bittencourt Bicca
O Alegrete foi palco de vários deles, desde o General Vasco Alves, Oswaldo Aranha e Honório Lemes, o Leão do Caverá.
Tantos outros de projeções mais interiorizadas escreveram seu nome na história local. Citamos vários da família Ferreira da Costa, o Salustiano, o Gregoriano e o Ícaro Ferreira da Costa, também o Major Pedro Olímpio Pires, o Jangota Pereira, lá do Caverá, o Murillo Nunes de Oliveira, que na região da Conceição e adjacências, foi o grande líder e benfeitor daquela localidade, tanto que até hoje seu nome é lembrado e reverenciado por todos.
Lá pras bandas do Itapororó também teve um grande caudilho , o meu avô, conhecido como Coronel Carlos Carús Bicca, que durante vários anos foi subdelegado e subprefeito daquela região, onde deixou sua marca e que também consagrou-se como uma lenda no Alegrete.
Estes homens não existem mais. Esta forma de vida esvaiu-se no tempo. Mas a partir deles consagrou-se a tradição nas estâncias gaúchas, nos que os descendem e mantém suas imagens vivas. Esta é uma parte da história do Rio Grande que não pode ser esquecida.
Personagens marcantes que povoaram estes campos e ajudaram a construir a marca e a tradição do Rio Grande, são almas vivas presentes em nossas lembranças. Todos estes, os quais não tive o prazer de conhecer, mas com certeza verei por esta vida a fora tantos outros, talvez mais modernos, mas com o mesmo significado do caudilho, e que serão lembrados e descritos aqui, nessa terra, de uma outra forma, e talvez, em um outro tempo.
Publicado no Jornal Gazeta de Alegrete em 12/02/2011 - Caio Bittencourt Bicca
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